Poesias de Escafandro são visões que tenho ao mergulhar por este mundo cheio de prazeres e sentimentos... 

Aqui moro, canto e sonho... você é convidado especial neste passeio.

Estou reformulando o blog e, enquanto isso, deixei uma pequena amostra do material que já publiquei.

Do lado esquerdo: poesias. Do lado direito: ensaios.

Empresto-lhe, agora, meu escafandro.
Bom mergulho!

Que ar te respira?

De toda boa arte
Eu faço parte
Arte é sobreposição

Arte quando é boa
Se reparte
Arte é multiplicação

Não curtiu a capa?
Vire o encarte!
Arte é contradição

Quer começar?
Aperta start!
Arte é proliferação

De primeira classe

pois, em teu coração, mora a poesia

cujas rimas são, da estação, a brisa

e estas avistam, nas asas da alegria,

o esperado verão, que em ti, aterrisa


para a Menina da Ginga

SP459


4-5-9, uma oportuna idade
que marca esta cidade
parece um país

4-5-9, intenso vai e vem
e na ida de todos
volta de ninguém

Lotou?


para Sampa e seus 459 anos

Do alto do trigésimo andar


Do alto do trigésimo andar
é tão difícil lembrar
do primeiro

Elevador que dizem funcionar
vai te custar
mais do que dinheiro

Tem que subir de andar em andar
pra conquistar
o verdadeiro

Pra que se possa enfim amar
e se entregar
de corpo inteiro

Viver é subir e descer
é mais do que entender
Mas vale a pena questionar
no mundo quem você quer ser

Na hora que tudo acabar
Ou simplesmente acontecer
Todos irão se assustar
Você não vai se surpreender

Viver é se adaptar
é questão de perceber
o que está para mudar
e o que vai prevalecer


para edificar

Se se parar

Se se parar pra pensar...
Se se parar...
Se separar...


pra pensar

Confissões sextas

É incontestável, a diferença
que, entre nós, hoje se vê!

Um de nós mudou muito...
é certo que não foi você



Pequenas mudanças indivuais
que nos tornam tão desiguais

Confissões quintas

Finalidade, sim, mas sem fim

Nunca me vi parado
Reparo em mim, vejo-me correndo
Executo o planejado
e continuo me movendo

Hoje fui promovido
Não tive tempo para comemorar
Pois já borbulhavam idéias
para o próximo passo a dar

A sensação de que é sempre possível fazer mais
me persegue
Não posso deixar que o sentimento impotente da sociedade
me cegue

Sentimento que acompanha a fala
"Eu na sua idade também sonhava assim"
Fraqueza intelectual e preguiça
nunca serviram para mim

Então, por favor, entenda
que aqui não se empurra com a barriga
Vai dar muito trabalho...
se quiser arregaçar as mangas, me siga!

Confissões quartas

Se eu fosse um super herói, serias meu poder
Pois é tanto que eu posso... tanto, contigo, ser

Ser, estar, ficar, parecer... para ser, no sentido de estar
Andar, permanecer... e, a partir daí, continuar

Confissões terceiras

Se perguntarem sobre meu coração

Está aberto, como sempre, acolhendo a mulher que passa,
a mulher que pára e aquela que não veio ainda...
por falta de tempo ou de vontade...
acolhendo sem ansiedade,
mas com paixão e propriedade,
fazendo morada de amor e liberdade...

Mas lhe faço uma confissão:
tenho em minhas mãos um coração
que não é meu de nascimento mas me foi dado
dado há mais tempo, mas só anteontem reveledado

Coração maduro de pensamento,
de paixões, relacionamentos...
mas novo de batimento...

E do pouco que já bateu
revelou que um pouquinho
foi em sintonia com o meu

Confissões segundas

Já é tarde... os sinos berram a todo momento. O fogo da verdade arde. A madrugada despe o sentimento. Mas a temperatura cai, pois o dia amanhece com chuva e vento.

Caminhos - Quarto Trecho

Dos dois caminhos que surgiram, um terceiro foi escolhido... não que de fato se quisesse ou fosse permitido. Talvez para mudar um pouco, por ser mais divertido... ou por despertar atração, não queria ser contido. Quem já esteve por caminhos vindos e idos que confesse quanto valem os mais sofridos... e quanto se perde com os não-vividos, os primeiros e segundos não escolhidos.


...

Caminhos - Terceiro trecho

Sigo, então, eu e minha dúvidas... procurando, no novo, o antigo. Acreditando num futuro diferente, chamando o tempo de "meu amigo". Deveria até confessar que sinto medo, mas sinto também que, para ser assim sincero, ainda é cedo. Confesso apenas o quanto tenho vontade de ser diferente, viver algo de cor mais doce e quente. Sinestesias que ainda não sei porque quero... talvez, por nunca ter dito, exagero. Mas, se existem os que me seguem nesta estrada, por que não existe, na minha mão, outra dada? Será preciso mudar de caminho para se sentir acompanhado? Este é o preço que me será cobrado?


...

Caminhos - Segundo trecho

Passos longos, passos rápidos... para logo a vida passar. Dou apressados passos, desesperados passos... sem sair do lugar. Percebo que não consigo descrever o que está em volta. Percebo que o tempo que perco correndo também não volta. Quanto da vida, na gente, se prende? Quando, pra vida, a gente se rende? Estas dúvidas parecem placas espalhadas pelo meu caminho. Mas não indicam direções, só me mostram que não estou sozinho.



Caminhos

Caminhos - Primeiro trecho

Faz tanto tempo que corro que já não sei se corro de alguém ou de algo. Já não sinto o tempero da vida, não sei se adocico ou salgo. As vezes tento descobrir se alguém me segue, olhando para trás, de relance. As vezes olho para frente para ver se alguém espera que eu o alcance. Passado e futuro não andam me dizendo nada. Então ando eu por esta desconhecida estrada.